segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Ainda se aprende

Bicho solto e criança correndo,
é medo revolto pela liberdade que o repreende.
A força bruta da leveza empurra pra fora antes que entre,
onde a dúvida não se aprende.
É plenitude fincada em terra fértil,
que gera frutos imaturos,
ideais para o bom saboreio,
de tudo que vem, vai e veio,
livres do peso da maturidade.
A pouca idade é o que se tem de tão pouco,
e nesse pouco é que se sabe viver e desaprende.
Mas na vida ainda se aprende.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Xadrez

Que olhar é esse que pôs meu coração em xeque? Sou rei pulando de casa em casa, postergando o inevitável fim, mate! O que é mesmo o sofrer, pra quem foi jurado? Sou réu condenado. Se há um Deus neste raio de céu e trovoadas que berram por entre nuvens carregadas a vindoura tempestade de lágrimas, peço-lhe que me reduza a pena, que tenha pena e considere meu penar. Eu rezei Seu Deus, rezei sim senhor, pra que a dor parasse de me perseguir. Por legitima defesa matei o que agora habita em mim. Xadrez perpetuo a dor, eu a condenei, fiz justiça com as próprias mãos, lavei-me de honra com o sangue que era meu. Sou rei falido, corrompido, derrotado por um olhar de quase amor que quer minha cabeça, como se já não a tivesse, como se não bastasse a lança atravessada no peito. Quer me ver sofrer como se não soubesse que já sou fim. Arcanjo dionisíaco, o diabo com o rosto de cristo me arrasta por um inferno com cara de céu, e já nem sei que como sera a vida após o fim. É uma morte que não ha, mesmo que eu quisesse.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Rússia

Sete tempos de palavras e algumas tentativas de uma esperança qualquer dentre formas e curvas num equivalente querer. Em cada ser a busca por um olhar virtual de lembrança. Séculos passados em minutos reais passados por sexagenárias frações de tempo numa ausência. O incompreensível me encara em cada espelho onde tento me encontrar numa imagem que não vejo, não se reconhece quando não há compreensão. Compreensão é tudo que me espera num reflexo de solidão em estilhaços teus, tão meus. A expectativa atirou na esperança que sangra num asfalto qualquer, próximo a uma sargeta por onde se escorre uma vitima de quase paixão, por veneração a imagem utopica de ilusão. Alma de artista, espera pueril, reality surreal, idiota em toda plenitude, e aquela gargalhada que se ouve em toda queda no escuro restando a espera por ela: quem sempre me carrega nos braços... solidão venha me salvar, traga um casaco de pele sintética, um cha de ervas que me traga calor passageiro que me faça sobreviver ao sopro mortal da indiferença, ausencia, ou sei la, o que nao é.

domingo, 30 de setembro de 2012

Batucada

E então seria repugnância àquela fraqueza inconsciente. De tão fraca
anárquica, incompreendida e consentida pela classe que te cerca. Cerco
de magia e encantamento. Terreiro de cegos e sábios manipuladores de
sentimentos. Acerca dali alguém aquém de enxergar os próprios sentidos
quem dirá ouvir a batucada do peito que samba amor adormecido,
amortecido, amortalhadado, retalhado em fuxico estampado de realidade
abstrata. Medo de então os olhos se cruzarem, onde não haveria
distancia segura, além da que já existe entre nós. Nós, os mesmos que
nos enlaçam, amarram por uma eternidade que nos envelhece o tempo que
não passamos juntos. Mas se passássemos ao invés de pairar, seríamos
jovens cheios de amanhãs. Quem me dera esse futuro fosse nosso
presente, não nos caberia tamanha felicidade, nem teríamos idade para
tanto. Saberíamos viver a eternidade se nos dessem? Se nos dissessem
que seríamos felizes para sempre? Se um lado não acredita, nunca
chega, eu acredito. Acredito na tua fraqueza e em todo o seu potencial
de não ser, apesar do querer que não basta. Antes crer em ilusões que
se avista em bolas cristalinas do que ser. Ser amável a ser amado...
respeitar o que não se compreende é também ignorar, como se restasse
outra coisa senão deixar. Deixa o amor morrer, porque ele mesmo
não sobreviveria em alguém que não tem peito, alem do vazio de dentro
onde não se ouve a batucada.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Chamado

Um chamado. Como se nunca houvesse te amado, então te amo, como se nunca tivesse deixado, como se fosse sempre, então era. Um tempo que não foi, nem ia, é. De amor presente, eternamente, como agora. Um chamado pra descobrir que era engano, todo esse tempo que não existiu, não existe e sim paira, pára, como se assim fosse seu estado de sempre, e é, a cada chamado. Em mundos paralelos inventamos de viver, e vivemos ali parados, meio-dia, meia- noite, meio-amor, incontáveis horas que não passam.

sábado, 21 de julho de 2012

Ido

Entre nipes e números, revelado o futuro que jazia a sete palmos de mim. A voz que estremecia em era remota era morta, um telefonema do além, sabe la o que é comunicar-se com alguém que foi, é como se eu soubesse. Se a morte tivesse voz era aquela. Aquela que fez a vida correr tão altiva em veias vagas, ia a um coração que nunca havia batido tanto, era agora acalanto pois soava arrepender, embora não dissesse, ou quisesse dizer. O alívio alvejava a alma, que antes pequena lhe vestia a palma para enfiardes em lama. Flama sob a eternidade de ontem, quando anteontem era sempre, era outrem, hoje era. Se estas na merda apenas herda o sofrer que lhe repasso com muito pesar, apesar do peso, penoso a carregar, não há de ser pior que enxergar a razão do teu calvário. Diários serão teus pesadelos, pela ausência de meu zelo, pois somente eu saberei como cuidar. Te sopraria as ardências, em meio a indecências, em medo a inocência do amor demais. Jamais futuro, ja aturo o amanhã de hoje que tentei avisar, avistar não lhe foi possível, terrível é teu amanhecer diante do meu amor amanhecido, passado, o nunca ter sido, guardado em meio a tanto querer. Querido alias, não quero mais.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Arremate

Essa inocência clara em teus olhos jamais me faria crer, que nesse teu profundo, profanasse um mundo de ilusões sem pés, e alguma cabeça que vira a tua ao contrario, de tudo o que vivemos, e então, como é meu querido que poderia olhar para direção de seus pés que caminham ate a mim? Teu corpo me caminha a todo instante, tua mente é minha aura, teu amor minha alma, me constrói em teus desejos, fizestes de mim alguém seu, dos meus restos plastificastes o que eu não era mais em pura arte. Arte é tudo que reconheço ser depois de me levarem tudo, é tudo que ainda cria, que ainda cre. Como pode me virar as costas com a cabeça virada me olhando, mesmo que tuas mãos conduzam uma outra mão qualquer, de mulher, outro personagem teu e daquele alguém que lhe torceu o pescoço, e ainda se sentir seguro tão próximo do abismo? Olha pra frente criatura, olhe teus pés, olhe pro chão, olhe pro abismo, vê? O abismo que há entre eu e você? Sou eu quem te cega os olhos, ou a voz aquém da sanidade que lhe trata na inverdade que deseja crer? Por empurrões de um passado triste que o levarão a adentrar uma fenda de breu e descrença num sobrevôo assustado de quem paira em queda, num pavor infinito, desejando que o tempo voltasse, que voasse ou lhe carregassem em pleno ar, tudo menos o chão, menos o fim. Pois então caia, pra que deseje tudo menos chao, menos fim, dê-se fim ou crie suas proprias asas e salve-se, quem puder, porque ja estou salva, foi você quem me salvou, mas nao espere por mim, nem nada de mim, meu coração é plástico e arte, ou me arrematarão, ou me arremate.