domingo, 15 de abril de 2012

Que horas?

Sabe que horas? No laço em braço que prendeu pra sempre, e nessa vontade que beija, que lambe e diz coisas tão precipitadas, sem conseqüência, tão puras quanto querer. Pueril não de jeito, de trejeito, raro, e então alguma certeza, de algum lugar, de algum modo era, o fim do cansaço da espera. Estranho... A saudade sem precedentes, sem passado ou presente, sem êxito ou sentido, mas sentida, por uma existência, partiu. A que habita eh nova, leve, e sua existência se deve por uma distancia conhecida, tão breve, tão fácil quando se sabe quem, onde, e pode planejar o quando. A espera eh doce, porque existe, e eh sabido. Eh (quase) um contar de dias, porque certeza ainda não. Praticamente sensação.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Lodo

Mudou meu humor hoje, como se ja fizesse parte de uma rotina, constituída de delírios. Se eu não tivesse me acostumado, nem teria sentido, o tanto que ja sinto. Seria ele proprietário e diria com tanta propriedade que ja me domina? Eximio condutor, porque nada eh da boca pra fora, então a selvageria que encanta eh também eficaz pela maestria do cativo a força, uma força tamanha quase imperceptível a criatura, ao animal eu. A existência era sabida, mas não seu inicio. O furacão no horizonte e no entanto em meio a ele, num piscar de olhos desatento. Me esquenta e me derrete com a mudança de seus ventos. E quando a gente acha que sabe um pouco da vida, eh como sentir firmeza em lodo, eh somente o passo que faltava para o tombo. A língua custa caro, por isso nem me meto a promessas, sigo pisando em lodo pois em que parte eh possivel ter certeza? A esperança do não tombo eh tudo q me resta.

domingo, 8 de abril de 2012

Or

E essa saudade? Esquecida do ontem,tão ja. O muito doido, e ja não arde o que vem de memória, foi, tão de repente, apareceu. Assustador, medo não, a historia não permitiria. Então a ânsia muita, quase desesperada, quase despercebida por uma intuição quase sempre falha, mas só quando se trata do mesmo assunto. Sei la, algo que vem e diz aquilo que eu quero ouvir... de um cigano, de um estranho, mas fala, e muito, sempre, as vezes berra, e tento controlar essa intensidade do novo, pulverizando o velho, pra um mesmo destino, dando lugar ao que ja esta. Siricutico, aquele de infância, ridículo em adulto, mas eh tao puro que chega a ser bonito. Agora. Se houver falha, tao costumeira, nem sei o que sera, mas que será triste. Ai, será? Será que eu ja to? Ou então como se explica esse querer chamar de amor? Quero enrolado no meu cobertor, quero denovo esse liquidificador, lembra? Começa com tudo terminando em "or".

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Re

E por deixar que ela conduza, foi então que surgiu o encontro. Por mim nada iria, nem sequer pensava, guardava talvez, algo que nem existe mais, descobri com você cujo nome só me faria lembrar, e não lembrei. Lembrei que não existe mais, alias, realizei. Você tem o nome da morte, e por esse através eh que surge um recomeço ne? Dizem por ai. Nasceu algo mesmo em meio a pedra polida que carrega teu nome em bronze, com um começo, um fim, e um recomeço rabiscado ali a mão, improvisado, quem eh que aguarda a ressurreição? Aquele que matou, morreu, ressurgi-me de cinzas, as mesmas de onde nasceu.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Sabia

Eu não sabia...não era o numero, nem prestei atenção, a não ser pelo toque, eles conversaram, restou-me a duvida, insensata,era obvio. Senti uma falta estranha do que acabara de acontecer, obsessão leve, por que o meu, arrepiado, acreditava numa eventual potencialidade. Por que não? No final eu queria mesmo ver, apesar de desconfiar desde o inicio daquela boca. O tradicional fatídico, certeiro, eu já tão clichê, ja sabia, mas e dai? Chance ao acaso em descrédito e ao destino ja desacreditado. O fator real de sim e de não, e a questão do agora. Sim, como algo premeditado, com uma certa arquitetura, um certo cuidado desprendido. Melhor que uma parte prevista, porém a outra também vingou, eu ja sabia. Eu sempre quis descobrir o elo entre o querer demais, e o adeus, portanto, tão previsível, valeu? Eu já sabia. Como deixar as minhocas morrerem de fome? Denovo e denovo... Um suspiro e um fim por favor, e um brinde ao surpresa. Que a vida o tenha.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sala de visitas

Pode ir, embora não me reste outra coisa senão deixar, deixar que o tempo, esse remédio do mundo nos faça esquecer, e perceber quando o tempo não mais existir, o nosso. Esquecer é tão possível quando o "sem" ainda não surge na linha do horizonte, aquela linha invisivel que se pode ver. Eu vejo, pena que é invisível pra vc como vai ser estar sem. Não há prepotência alguma, apenas sinto com alguma certeza junto a esperança que lhe foi tão aliada, e a ela me farei surda enquanto existir. A esperança é serena, sussurra, dificil vai ser tampar os ouvidos para os gritos agudos da agonia, segurar o desespero nos braços na tentativa do acalanto, e conter as lagrimas ao ouvir os passos pesados da solidão que vem vindo e que não me resta acolher senão com um abraço. Bem vinda tristeza, não esperava reencontrá-la tão cedo, imaginei que viria depois da visita do fim, que eu achei que viria só depois de ter sido feliz. Esse alguem que diz gostar de mim quis antecipar o sofrer, que o meu venha antes do dele, "vai ser melhor assim" ele diz, sem culpa, nem piedade, por achar esse sofrer pequeno, sem saber o tamanho do que deve vir com sobrenome: arrepender. Que ele tenha a sorte do não vir, aceito essa transferencia de dor, pelo amor. Falei demais em busca da certeza, que me gritou tanto até me fazer surda, da razão que perdeu a voz na tentativa de me salvar da exposição, que tentou me conservar na brandura do não saber, do deixar pra lá, do dar tempo ao tempo e quem sabe tudo seria diferente... fui eu quem antecipou tudo pela ansia de amar, de por fim ao sofrimento que acaba de chegar... com o fim. Será? Tempo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Contra-tempo

A espera não dá mais, porque ja não me resta tempo. Não teriamos tempo a perder na unção, e se não, sei que terei todo tempo do mundo pra esquecer. Mas vc sempre consegue me fazer esperar mais um tiquinho, aliado a minha esperança traidora, empática as delongas do sofrer e do não. Suas vindas e indas são pra me provar que estou viva, e esta vinda ultima tem porta aberta pra sair, porque te dou a liberdade que amo, porque te amo, mas não haverá porta pra voltar, não só pela tristeza que precisa de um fim, mas pelo amor que me tenho. O amor que te tenho já lhe foi dito, já lhe foi expresso, já lhe esfregou a cara. E tudo que me resta é o seu querer ou a renuncia triste a tudo que somos, porque nos somamos e damos um, o primórdio ímpar, sem igual em nossas vidas. Valor imensurável, inestimavel tão perto de escorrer pelas mãos. Os corações batem no mesmo compasso, mas as mentes estão no contra-passo, e ja é tempo de sair do contra-tempo, dos desencontros que geramos do encontro que a vida nos deu. Os medos e as incertezas já não são nossos vilões, e a vida nos espera com um certo prazo que desconhecemos, e mesmo que ainda não seja o fim desse prazo, eu o porei pelo cansaço. Meu peito bate cansado do teu acelerar. Te faço promessa em vida, de que lhe amarei por todo tempo que me resta, com ou sem vc, digo que seria mãe de teus filhos, e vc meu unico amante, ao teu lado passaria eternidades, mas é preciso o fim da ansia e da angustia que nos seca feito planta abandonada ao sol, que depende da luz pra viver, mas que morre pelo abandono.