quinta-feira, 6 de maio de 2010
Tenis ou Squash?
No mal de todas as possibilidades o planeta sucumbe. Nossos guerreiros se armam de raquetes pra que haja sobrevivência mental, e ainda, pra que os olhos não se voltem para esquina por onde passam seus possantes frente aos fracos que morrem de tanta dor por não serem capazes de lutar mais ou por não terem pais bem sucedidos. Os estômagos eletrônicos vazios e cheios cruzam por aquela esquina, passam uns pelos outros como se o caminho fosse deserto, o olhar fixo a frente de onde se quer chegar, enquanto a vida passa pelas laterais sorrateira e imperceptível como um cenário de fundo sem vida. Guerreiros abatidos pela ansiedade exacerbada que faz os joelhos irem ao chão, uma doença de luxo que cabe a si mesmo a própria cura e ainda assim é o fim do mundo, então é preciso mover terras e céus pra que todos saibam o que ninguém quer saber. Os idiotas querem saber. Mas eis que eu iconoclasta contra todos digno de indiferença por julgar os frívolos, sou como eles: sem valor para os frívolos. Queria eu saber como seria o mundo sem moeda, e então se existiriam reis e reinos, a adoração seria ao que atribuída? Milagres dispostos a alguns, procissões... que fascínio é esse pelo poder do outro? Que mania de venerar... de pagar pau. Se a moeda cai, cai o pau, cai o palanque não percebe? Não me peça o braço nesta hora, conte com as costas dos seus amigos.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Silêncio
Eu não queria ser surda, mas gostaria de poder apertar mute. Eu já ouço bastante por natureza, mas favor limite aos podres, calunias, burrices, bizarrices, reclamações, venenos... ainda de gente que eu não conheço e nem quero conhecer no ônibus, na mesa ao lado, na fila, na baia ao lado - antes fosse um cavalo na baia ao lado - não, não peça minha opinião porque vou ser grossa, e sou bastante por natureza, tenho intolerância a ignorância, sou ignorante. No máximo um sorriso fraco como símbolo do meu silencio e agradecimento por não insistir. É cada absurdo, que às vezes eu me pergunto como consigo viver num universo de palavras que me fazem faltar o ar. Ninguém sabe nada, mas como falam... falam por gerações inteiras, longínquas, que mania de querer falar o que pensa e o que não pensa pra falar. Às vezes penso que o mundo só vai ter paz, quando houver silêncio.
terça-feira, 30 de março de 2010
Seiva
Socorro,
Me falta seiva
Dessa que ruborece a face
Da que ferve a carne
Impassível de disfarce
Essa que corre de veia em veia
De membro em membro
Até chegar ao topo
Estremece a base
E todas as pontas
Essa que bomba o peito
E obriga o sorriso
Depois o riso
vai o juízo
A calma
A alma
Me falta seiva
Dessa que ruborece a face
Da que ferve a carne
Impassível de disfarce
Essa que corre de veia em veia
De membro em membro
Até chegar ao topo
Estremece a base
E todas as pontas
Essa que bomba o peito
E obriga o sorriso
Depois o riso
vai o juízo
A calma
A alma
quarta-feira, 24 de março de 2010
Carta nº 2
É bom saber... saber que está tudo bem... saber que está realizando cada sonho seu... e que Deus (aquele que vc não acredita, ou pelo menos não muito) é tão generoso contigo. É tanto talento como eu, só que eu não soube usar. Não tão bem quanto você, aliás nada tão bem como você. Te invejo, por isso quero estar tão perto. Vc é meu oposto. Tudo que quero ser e não sou por covardia, conforto. Mas oposto do meu esboço, pq sou igual a você. Por isso quero estar tão longe. Eu te vivo sabia? Eu te vivo em cada boa notícia dessas que me dá sempre. Eu te vivo em sonhos acordada platôniando as lembranças do que pode ser um dia. Mas não te vivo em vida pq não vivo. Só vivo se vc ao vivo se é que vc me entende. Aquele dia já é ano, e por anos eu vivo esse dia. Anos-luz do meu tempo e do seu – que a gente sabe que é um - querendo que um dia esse dia seja sempre. Pra variar entreletras. Dionísio um dia vc me enlouquece. E que chegue esse dia.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Crônica de merda
A vida é uma merda. As "pequenas coisas" da vida que deveriam "contra-balancear" não são a mesma medida. Não são lá grande coisa. Um troco que não paga o preço de viver. Uma merda. A gente paga um preço alto por qualquer prazer, grande ou pequeno. A vida é linda apenas aos "abençoados". Os "pensadores" são fracos. Não aguentam o tranco. Pensam e não fazem nada, se entediam com nada e se matam. São uns merdas.
Já os "desgraçados" são os verdadeiros heróis da Terra. A capacidade de não desistir, de lutar por qualquer motivo e nada, é um ato de heroísmo. Os "desgraçados" são os que eu deveria reverenciar... todos aqueles que pegam o mesmo ônibus que eu, todas as manhãs, num espaço fisico que quase ultrapassa a lei da física, no transito de são paulo, numa escala 6x1, por um punhado de dinheiro: 600 reais pra mais ou pra menos e dão risada, e se divertem com a desgraça. Se acostumaram com o sofrimento do qual eu jamais serei capaz. Não vale a pena, esse sofrimento não vale a pena. Se um dia algum deles vencer, grande merda.
Eu luto por um futuro que não vem - meu motivo é ridículo - e a areia movediça me cansa. Cansa não ter certeza de nada, cansa ver minha saúde ir embora, cansa chegar perto dos sonhos e não poder tocar, não poder agarrar de vez. Cansa ver o tempo passar. Eu to cansada dos outros, eu to cansada de mim mesma, to cansada de um passado que não me sai da cabeça, é um cansaço sem fim... da vontade de afundar nessa merda.
Toda vez que eu entro num ônibus lotado eu vejo o quanto eu não valho nada ou que valho tanto quanto aquele monte de gente amontoada, sofrida, desesperada. Cheiro de merda.
Por isso eu deveria me reverenciar, por ser mais um herói. Parabéns pra mim. Parabens a todos. Grande merda.
Parabéns aos que tem tudo, e não sabem o valor de nada. Parabéns aos que não tem nada e sabem o valor de tudo. Parabéns aos mediocres que sabem o valor de quase tudo, e não tem quase nada. Que é meio que uma merda.
Grande merda essa que se diz professora e que vive me reprovando... eu me esforço tanto, e ela não salva esforços em me repreender. Qual é a porra da lição, dá pra ser mais clara? Não quero mais aula de reforço, não quero mais tanto esforço pra algo que não me interessa. Me diz o que eu tenho q fazer e me manda embora. Me põe pra fora, me expulsa. Me forma de uma vez, que há cinco eu não saio da mesma matéria. Eu pago. Não quero aprender nada. Para de tentar me obrigar. E não me venha com gracinhas como veio hoje, me trazendo cenas hilárias, pra mostrar que você pode ser engraçada ou legal comigo. Vc é um monstro. Não tenta me mostrar o lado bom pq é pouco. Os outros te compram, mas vc não me compra com essa merda.
Vc é uma merda. Me mata só não de desgosto. De ter sido essa merda e fim.
Já os "desgraçados" são os verdadeiros heróis da Terra. A capacidade de não desistir, de lutar por qualquer motivo e nada, é um ato de heroísmo. Os "desgraçados" são os que eu deveria reverenciar... todos aqueles que pegam o mesmo ônibus que eu, todas as manhãs, num espaço fisico que quase ultrapassa a lei da física, no transito de são paulo, numa escala 6x1, por um punhado de dinheiro: 600 reais pra mais ou pra menos e dão risada, e se divertem com a desgraça. Se acostumaram com o sofrimento do qual eu jamais serei capaz. Não vale a pena, esse sofrimento não vale a pena. Se um dia algum deles vencer, grande merda.
Eu luto por um futuro que não vem - meu motivo é ridículo - e a areia movediça me cansa. Cansa não ter certeza de nada, cansa ver minha saúde ir embora, cansa chegar perto dos sonhos e não poder tocar, não poder agarrar de vez. Cansa ver o tempo passar. Eu to cansada dos outros, eu to cansada de mim mesma, to cansada de um passado que não me sai da cabeça, é um cansaço sem fim... da vontade de afundar nessa merda.
Toda vez que eu entro num ônibus lotado eu vejo o quanto eu não valho nada ou que valho tanto quanto aquele monte de gente amontoada, sofrida, desesperada. Cheiro de merda.
Por isso eu deveria me reverenciar, por ser mais um herói. Parabéns pra mim. Parabens a todos. Grande merda.
Parabéns aos que tem tudo, e não sabem o valor de nada. Parabéns aos que não tem nada e sabem o valor de tudo. Parabéns aos mediocres que sabem o valor de quase tudo, e não tem quase nada. Que é meio que uma merda.
Grande merda essa que se diz professora e que vive me reprovando... eu me esforço tanto, e ela não salva esforços em me repreender. Qual é a porra da lição, dá pra ser mais clara? Não quero mais aula de reforço, não quero mais tanto esforço pra algo que não me interessa. Me diz o que eu tenho q fazer e me manda embora. Me põe pra fora, me expulsa. Me forma de uma vez, que há cinco eu não saio da mesma matéria. Eu pago. Não quero aprender nada. Para de tentar me obrigar. E não me venha com gracinhas como veio hoje, me trazendo cenas hilárias, pra mostrar que você pode ser engraçada ou legal comigo. Vc é um monstro. Não tenta me mostrar o lado bom pq é pouco. Os outros te compram, mas vc não me compra com essa merda.
Vc é uma merda. Me mata só não de desgosto. De ter sido essa merda e fim.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Momento coca-cola
4:51 da manhã. Até alguns minutos atrás pensava em fazer vestibular amanhã e me transferir pra Unip. Unip. Me dá desespero só de pensar em me formar lá, mas tem outra saída? Depois da desilusão que foi a USP eu não quero me formar em nada. Nem em filosofia mais. Aliás leio tanto sobre filosofia que sentar por quatro anos na mesma carteira só vai me agregar uma bunda quadrada e um rótulo. Um rótulo que todos querem ver enrolado ao meu redor. Eu até queria esse rótulo mas só pras pessoas me deixarem em paz. E então ser filóloga ao invés de aspirante a intelectual. Uma embalagem de coca fica tão sem graça quando a gente tira o rótulo. Mas ainda prefiro ser pet que ser coca. Minha tia falou uma coisa engraçada esses dias. Disse num tom inconformado que hoje quem tem valor é quem tem dinheiro, se vc não tem nada, vc não é ninguém. Achei engraçado. Depois tive vontade de chorar. É a mais pura verdade meu Deus, de certa forma eu sabia disso, mas nunca tinha ficado tão explícito como naquela frase: "se vc não tem nada, vc não é ninguém" ou mesmo "se vc não tem dinheiro, vc não tem valor". Então tudo fez sentido. Todas as sensações estranhas que eu vinha sentindo, os vazios, os porquês, todo aquele turbilhão nauseante que me virou do avesso, botou tudo no lugar num click. E eu achando que o problema era comigo. Antes eu queria voltar a ter tudo, só pra ter aquela felicidade toda denovo. Mas eu percebi que a felicidade é fake pq depende se vc tem dinheiro pra bancar o que ela te proporciona. É possivel sim comprar felicidade, claro que é. Quem é que não é feliz quando "nada" (quando digo nada, digo dinheiro) te impede de fazer aquilo que quer? Quem é infeliz quando pode tudo? Todo mundo sabe que com dinheiro se pode tudo, inclusive alugar pessoas. Essa é a parte que mais gosto: o que é um psicólogo senão alguém alugado? Ou mesmo uma prostituta, uma dama de companhia, um médico, uma enfermeira, uma dançarina, uma barriga, um amigo... Amigo? É amigo, quando vc tem dinheiro aparecem vários. Amores também, com dinheiro vc fica mais bonito e interessante e vai acabar chamando atenção daquela pessoa que não sai da sua cabeça. Basta abrir a carteira. Mas a felicidade cansa, enjooa, e então quando tiver tudo, vai ver que a felicidade não é isso, não tá lá. Vai entrar em depressão, abandonar tudo e querer ter uma vida humilde, pq vai achar que a felicidade está nas pequenas coisas. Mas não tá. A felicidade é uma ilusão, não existe. É só um chamariz de trouxa pra continuar querendo viver. Sei la quem inventou esse negócio de felicidade e então as pessoas vivem buscando uma coisa que não existe, só pra não dar cabo da propria vida pq a vida é uma merda. A vida é cruel demais. "Nossa Carol quanta revolta, vc está depressiva, quem tem saúde também é feliz" Aham. Quanta gente não exala saúde e vive reclamando da vida. O que existe é o tempo. Nesse intervalo tudo passa, todos passam, vem altos e baixos e médios e só. Quem se diz feliz é pq não chegou em nenhum dos extremos: nunca teve tudo, e nunca ficou sem nada. O famoso mediocre, que irrita por ser mediocre e irrita por se achar feliz. Só acredito em momentos alegres, esses sim tão raros. Mas felicidade não. Acho que vou tomar uma coca e abrir a felicidade que vem aí. Deve estar ali.
Carta nº 1
... pra isso eu precisaria de liberdade. Logo eu, que me considero tão liberta e tão radical... Tão revolucionária não consigo me desprender das próprias grades em que me crio. Pra revolução é preciso coragem e me falta muita. Acho que é preguiça, quando se falta ainda a certeza. Crer. Jamais cri no que pudesse vir dalí, nada além do dionísio que parece tão à minha espera, convidando pra dançar. Vamos bailar, pegue em minha mão e olhe bem dentro dos meus sonhos. O que você vê? Espelhos por toda parte aposto, por isso não pare de olhar, fique aí pra sempre, olhando. Mas não me faça beber desse vinho, nem toque essa lira pra mim. Vamos dançar ao som do silêncio como costumávamos fazer. Mas diga: como andam os corações dilacerados? O meu tá bem. Mentira. Roubaram. Mentira. Não sei. Vamos mudar de assunto? De que adianta saber, o que vai mudar? Pintei as unhas de vermelho. Queria ver esse frisson. Que saudade do que não foi. Lembra? Quantos dias mais durarão esse dia? E tudo que veio e que ainda vem dele? Acho que eternidades. Sabe quantas horas? Quatro. Quatro pra escrever e quatro da manhã. Tantas horas só pra achar um jeito de esconder, aquilo que não dá pra esconder mais. Mas é fraqueza. Maior do que coragem, maior do que liberdade, maior do que revolução, mas não maior do que um sim.
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