quinta-feira, 7 de junho de 2012

Arremate

Essa inocência clara em teus olhos jamais me faria crer, que nesse teu profundo, profanasse um mundo de ilusões sem pés, e alguma cabeça que vira a tua ao contrario, de tudo o que vivemos, e então, como é meu querido que poderia olhar para direção de seus pés que caminham ate a mim? Teu corpo me caminha a todo instante, tua mente é minha aura, teu amor minha alma, me constrói em teus desejos, fizestes de mim alguém seu, dos meus restos plastificastes o que eu não era mais em pura arte. Arte é tudo que reconheço ser depois de me levarem tudo, é tudo que ainda cria, que ainda cre. Como pode me virar as costas com a cabeça virada me olhando, mesmo que tuas mãos conduzam uma outra mão qualquer, de mulher, outro personagem teu e daquele alguém que lhe torceu o pescoço, e ainda se sentir seguro tão próximo do abismo? Olha pra frente criatura, olhe teus pés, olhe pro chão, olhe pro abismo, vê? O abismo que há entre eu e você? Sou eu quem te cega os olhos, ou a voz aquém da sanidade que lhe trata na inverdade que deseja crer? Por empurrões de um passado triste que o levarão a adentrar uma fenda de breu e descrença num sobrevôo assustado de quem paira em queda, num pavor infinito, desejando que o tempo voltasse, que voasse ou lhe carregassem em pleno ar, tudo menos o chão, menos o fim. Pois então caia, pra que deseje tudo menos chao, menos fim, dê-se fim ou crie suas proprias asas e salve-se, quem puder, porque ja estou salva, foi você quem me salvou, mas nao espere por mim, nem nada de mim, meu coração é plástico e arte, ou me arrematarão, ou me arremate.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Herói de flores

E não eh que sempre abre uma janela? Abriram duas antes mesmo da porta se fechar. Uma, deu ao corpo tudo, outra deu corpo a tudo, tudo que eu precisava. Inocência nobre carregando olhos tão profundos, contradição bela, onde a dor tão presente lhe faria experiente e um tanto cinza, ranzinza como quem viveu demais, sem o bom, querendo mais do que nunca vive-lo, mas não há cinza, cinzas apenas. Dali eu vejo um florescer uníssono, foram tantas flores que acobertaram o ja enterrado, e ja mal me recordo que ali jaz. Esquisito, dizem que o tempo cura o desamor, mas acho que o que cura eh somente um novo amor, como o soro feito com o próprio veneno, onde não há cura senão dele mesmo. Ainda assim o tempo me serve de termômetro, cedo e tarde como suas extremidades e digo que eh cedo pra dizer que já eh novo amor, mas eh novo dia, e são tantas flores que já nem me recordo das dores, nem desamores, eh um eterno querer estar entre elas.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Eu estive lá

Eu estive lá, por alguns instantes, e vi um abraço ao passado e uma realidade tentando separar. Era triste, eu pude ver o seu desespero ao ver aquele passado tomado pelo braço a força, sendo levado com lágrimas nos olhos, olhando pra trás, para os olhos esbugalhados, gritos surdos e braços relutantes sem êxito. E quando ele sumiu de vista, teu corpo desfaleceu naquele colchão no chao, definhado em posição fetal e era tanta dor... tanta que cegava a última memória daquele colchão, daquelas paredes, daquela varanda que ventava o amor. O que trouxe agua pura para hidratar aquele corpo seco de tanto chorar. Soprou no seu rosto, e havia um sorriso, havia um olhar acolhedor, um perfume novo naquele lençol, um raio de sol invadiu todas aquelas janelas e arestas, anunciando uma felicidade em potencial, era a vida te trazendo o novo. Acho que ate viu, mas bastou fechar a porta daquele apartamento e fechar também a porta pra que tudo aquilo entrasse. Escolha incompreendida ate pela vida, por você, certamente no futuro, quando compreender que aquele tomado pelo braço não volta mais, nem aquele sorriso, nem o olhar acolhedor, nem aquele perfume.

Cinzas

Nada mais triste que o adeus, só que o falado ou o ouvido. As vezes as coisas terminam por fatores diversos e inversos, e então o tempo vai dando conta de reposicionar tudo de cada lado, mas a despedida? Nada mais triste que a despedida. Sempre despida, desmedida, desiludida, um sopro do ártico no umbigo petrificando o calor de tudo, e depois fica tudo la estático, intacto e de fato quando os olhos se fecham, há uma busca por uma luz que não vem. Escuridão e silêncio e frio e infinitos pontos de interrogação e nenhuma reticência, nenhuma exclamação, e no final um ponto. Tudo tão monocromático, flashes em preto e branco do passado colorido, fotografias da mente, retro-projeções vintage, onde acabaram-se os slides, resta a parede branca, a sala escura, um presente branco, um futuro escuro. E dor... Que não no corpo, nada comparado ao que se tem de memória, o que doi eh tudo que sente, e de uma vez só. Todas as sensações, sentimentos e pressentimentos queimando numa fogueira no estômago, arde tanto que o corpo aciona um sistema hidráulico, a água então brota dos olhos ate que a chama se apague e seja constituido de cinzas apenas, de onde renascerá pra um novo amor.

domingo, 13 de maio de 2012

Nada

Quarenta e cinco no gregoriano, uma eternidade no meu, e nada. Nada mais eh, nada sera. Nada. Tao presente em meu preterito, nada diferente no presente, e entao nada me faria crer no futuro. Nada, intitula meu muito a sua própria significancia, mas sempre haverá sobras. Do lado de ca uma garrafa de vinho bom, brie, camembert, geleia de framboesa e saudade. Do lado de la a musica q nunca fiz e um amor monoplatonico ao burro, ao arrogante, ao prepotente solitário de loucura infinita que só cabe ao mundo e a compreensão de quem vive, se eh que existe mais alguém. O que sobrou daqui eu ofereço ao próximo, quem haveria de negar ao banquete dos deuses com pitada de saudade? Do lado de la quem haveria de querer? Sua procura eh tão vã quanto suas palavras, de nada vai adiantar, como de nada adiantaram as palavras. No meu mundo palavras são palavras, no seu, nem me interessa saber. Exasperador eh saber o que se sabia, a redundância do próprio conhecimento. Mas sabe que no fim eu agradeço? Apesar da também redundância do teu nome, me fez esquecer o primeiro, e ja se pode avistar um terceiro, louco pra me tirar dessa redondeza. E então eu ou você diríamos que nao daria em nada.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Imbecil

E eram tantas promessas e tanta saudade, tanta inverdade que nem sei de onde veio tanto, nem porque, nem pra onde vai tanto. Vão e palavras submersas em sangue, obstruindo o que houver de passagem, a pressão faz faltar o ar de onde eu respirava. Era dele que o meu corpo extraia cada suspiro que chamo de ar, comprimido agora em minhas veias, onde corria tanta vida, ocorre marcha fúnebre, e a canção soturna que anuncia mais uma vez o enterro daquele nome maldito. Sete letras que juntas relembram o trauma de estar diante de quem o carrega ser sempre um grande imbecil. Mas é uma maestria que sempre surpreende, e eu nem vergonha tenho de permitir o que vem de uma surpresa que nao é mais além de tristeza, e nao futuro como sempre acho. Eis que fugirei desta combinação de letras que me fazem doer tudo que eu nao tenho mais de alma, e é tanto. Tão velha de mundo e mais ingênua que criança. Assassino a esperança que me venda os olhos de maneira tão gentil, com suas mãos delicadas, nem percebo quando me empurram pro abismo, então a sensação de queda no escuro, tiro a venda, e o breu me consome, ouço uma gargalhada ao fundo, a mesma de todas as quedas e quem sempre me segura nos braços, é a fiel companheira solidão. Pior que no fundo eu sabia, devo parar de me anistiar, e me fazer cumprir todos os anos de condenação, que já somam uma vida inteira.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Acorda

E aí prefere ficar longe, diz que é jeito de lidar com saudade, que é pra matar o sofrer, deve ser coisa daquela terra, que se aprende de menino novo, ou velho, sei lá. Sei que nao sei se acredito, história meio mal contada essa. Ou falta crença ou falta vontade, ou falta verdade. Alguma coisa falta além de sua presença. Deve ter outra. Mulher, literatura, poesia, canção, seja qual for a criatura, ou criação, acho que nao sou mais seu refrão. Pra encurtar a saudade existe voz e palavras capazes de voarem feito um raio pra chegar a quem se ama. É um jeitinho de estar um pouco lá, um pouco cá, então a esperança aumenta, a saudade é branda, acalanta, orienta, e o suspiro é seguido de sorriso. Meus suspiros tem sido tristes, a esperança é pequena, e vai matar Seu moco! Que a saudade nunca que há de sobreviver ao abandono. Acorda moco, antes que venha outro.